Azeite de oliva extra virgem pode proteger contra várias demências

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Novas pesquisas estão sugerindo que uma dieta rica em azeite de oliva extra virgem pode impedir que a proteína tau se acumule de maneira tóxica no organismo. Já se sabe que o acumulo dessa substancia é a marca registrada de vários tipos de demência.

O que são proteínas de tau?

As proteínas Tau são proteínas que desempenham a função de estabilizar os microtúbulos. Essas proteínas são abundantes nas células nervosas e estão presentes em grau muito menor nos oligodendrócitos e astrócitos. Quando as proteínas Tau se tornam defeituosas e não conseguem estabilizar adequadamente os microtúbulos, podem surgir patologias do sistema nervoso, como por exemplo, a doença de Alzheimer.

Importância do azeite de oliva

Devido aos seus inúmeros ácidos graxos monoinsaturados e as suas gorduras ditas boas, o azeite de oliva extra virgem é conhecido por sua capacidade de reduzir o risco de colesterol alto e doenças cardíacas.

No entanto, vários estudos estão sugerindo que o azeite de oliva extra virgem também traz muitos benefícios cognitivos e neuroprotetores.

Por exemplo, um estudo laboratorial do ano de 2012 descobriu que o óleo melhora o aprendizado e o desempenho de roedores em testes de memória.

A razão que foi presumida para essa descoberta é que o azeite de oliva extra virgem é muito rico em polifenóis. Os polifenóis são poderosos compostos antioxidantes que revertem a aprendizagem relacionada à doença, ao envelhecimento e também o comprometimento da memória.

A muitos anos atrás, um estudo informou sobre as descobertas a cerca do óleo de oliva extra virgem informando que ele havia reduzido os primeiros sinais neurológicos da doença de Alzheimer em camundongos de laboratório.

As doses extras de azeite de oliva melhoraram a autofagia, ou seja, melhoraram a capacidade das células cerebrais de eliminar os resíduos tóxicos e também ajudou a manter a integridade das sinapses cerebrais, que são as conexões entre os neurônios.

O Dr. Domenico Praticò que é professor dos Departamentos de Farmacologia e Microbiologia do Centro de Medicina Translacional da Escola de Medicina Lewis Katz da Temple University, na Filadélfia foi quem liderou a pesquisa.

Recentemente, ele liderou uma nova equipe em um estudo sobre os benefícios neurológicos do azeite de oliva. Como parte deste estudo, os pesquisadores analisaram os efeitos do óleo nas taupatias, (a taupatia pertence a uma classe de doenças neurodegenerativas que envolvem a agregação da proteína tau em emaranhados neurofibrilares ou gliofibrilares no cérebro humano).

Estas são condições cognitivas relacionadas ao ganho de idade em que a proteína tau acaba se acumulando a níveis tóxicos no cérebro, e desencadeando várias formas de demência.

As descobertas do Dr. Praticò e seus colegas foram publicadas na revista Aging Cell.

Estudo da proteína tau em camundongos

Os pesquisadores usaram um rato com taupatia. Eles modificaram geneticamente os roedores, de modo a acumularem quantidades excessivas da proteína tau.

Na doença de Alzheimer e em outras formas de demência, como na demência frontotemporal, por exemplo, a proteína tau se acumula dentro dos neurônios formando emaranhados tóxicos.

Entretanto, em um cérebro saudável, níveis normais da proteína tau ajudam a estabilizar os microtúbulos, que são as estruturas que dão suporte aos neurônios.

Nas taupatias, o acúmulo de emaranhados no interior dos neurônios acaba impedindo que as células nervosas recebam nutrientes e se comuniquem com os outros neurônios. E isso acaba levando à morte deles.

Neste estudo, os ratos propensos ao acúmulo de proteína tau consumiram uma dieta rica em azeite de oliva extra virgem a partir dos 6 meses de idade. E segundo as estimativas dos estudiosos da pesquisa, isso equivaleria a cerca de 30 anos de idade humana.

Os ratos dos testes também eram propensos a acumulações da proteína tau, mas consumiam uma dieta regular.

Azeite de oliva extra virgem significa 60% a menos de proteína tau

Após cerca de um ano, o que equivaleria a cerca de 60 anos da idade humana, os experimentos acabaram revelando que os roedores propensos a taupatia tinham 60% menos depósitos da proteína tau do que os outros roedores, que não receberam uma dieta enriquecida com azeite de oliva extra virgem.

Os camundongos que receberam azeite de oliva extra virgem também tiveram melhor desempenho em testes de labirintos padrão e em novos testes de memória de reconhecimento de objetos.

Além disso, análises de amostras de tecido cerebral revelaram que os camundongos que consumiram o azeite de oliva extra virgem tinham melhor função sinapse do que os camundongos que não consumiram o azeite de oliva, além de terem melhor neuroplasticidade.

As análises também revelaram o aumento de uma proteína chamada complexina 1. Ela é uma proteína pré-sináptica que auxilia o cérebro a manter suas sinapses saudáveis.

Dr. Praticò e sua equipe afirmam que:

“Nossas descobertas demonstram que o azeite de oliva extra virgem melhora diretamente a atividade sináptica, a plasticidade a curto prazo e também a memória, enquanto diminui a neuropatologia da proteína tau nos camundongos propensos a desenvolverem o problema”.

Eles também afirmam que:

“Esses resultados fortalecem os benefícios saudáveis que o azeite de oliva extra virgem traz e apoiam ainda mais o potencial terapêutico deste produto natural que ainda não é tão consumido em muitas residencias. E não apenas para a doença de Alzheimer, mas também para as taupatias primárias”.

Azeite de oliva extra virgem protege contra várias demências

Dr. Praticò explica que:

“O azeite de oliva extra virgem já faz parte da dieta alimentar humana há muito tempo e ele traz muitos benefícios à saúde, por razões que ainda não conseguimos entender completamente”.

“A percepção de que o azeite de oliva extra virgem pode proteger o cérebro contra diferentes formas de demência nos dá uma grande oportunidade de aprender muito mais sobre os mecanismos que atuam no cérebro”. Ele diz isso destacando ainda que a descoberta traz novas direções para futuras pesquisas.

Dr. Praticò conclui afirmando que:

“Estamos particularmente muito interessados ​​em saber se o azeite de oliva extra virgem pode reverter os danos da proteína tau e finalmente, tratar as taupatias em seres humanos”.

FONTE

Azeite de oliva extra virgem melhora a atividade sináptica, plasticidade a curto prazo, memória e neuropatologia em um modelo de tauopatia.

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