Espasmos nos dedos das mãos: 9 causas e quando procurar um médico

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Um espasmo muscular é uma pequena contração e relaxamento involuntário de um músculo ou de um grupo de músculos. O termo médico para espasmo é “fasciculação” e ele pode ocorrer em qualquer área muscular, inclusive nos dedos.

Pessoas com espasmos nos dedos podem em algum momento ficarem preocupadas se estão desenvolvendo um distúrbio neurológico. No entanto, quando essa contração muscular não está acompanhada de outros sintomas, normalmente não é motivo de preocupação.

Existem três tipos de músculos no corpo humano. O músculo cardíaco, que é o que compõe o coração. Músculo liso que são os que revestem os vasos sanguíneos, o trato gastrointestinal e certos órgãos. E os músculos esqueléticos que se ligam aos ossos e são usados ​​para movimentos voluntários do corpo.

Espasmos musculares ocorrem quando um músculo esquelético se contrai e não relaxa. Os espasmos são involuntários e podem ser fracos ou fortes dependendo da pessoa e do problema que ele está associado.

Esforço físico, fadiga e consumo excessivo de cafeína podem causar ou piorar as contrações musculares.

Neste texto, exploramos nove causas de espasmos nos dedos e seus tratamentos. Também ofereceremos sugestões sobre quando consultar um médico.

1. Medicamentos

Espasmos musculares e tremores nas mãos podem ser efeitos colaterais causados por algum medicamento, incluindo:

  • corticoides ou corticosteroides
  • isoniazida, que é um antibiótico
  • succinilcolina, um relaxante muscular
  • flunarizina, usado no tratamento de distúrbios circulatórios cerebrais e de equilíbrio
  • topiramato, usado para epilepsia, hipertensão intracraniana idiopática dentre outros
  • lítio, um medicamento psiquiátrico

Se uma pessoa sentir que um medicamento está causando contrações musculares, deve falar com seu médico antes de interromper o tratamento.

Nesses casos o médico poderá recomendar diminuir a dose ou mudar para um medicamento alternativo.

2. Deficiência de magnésio

A deficiência de magnésio pode causar cãibras e tremores musculares. Esse problema é raro entre pessoas saudáveis ​​porque os rins limitam a quantidade de magnésio excretado na urina.

No entanto, certos fatores podem aumentar as chances de desenvolver uma deficiência de magnésio. Entre esses fatores estão o:

  • transtorno por uso de álcool
  • algumas condições médicas
  • uso de certos tipos de medicamentos

Uma pessoa com deficiência de magnésio pode sentir alguns sintomas como:

  • perda de apetite
  • náusea
  • vômito
  • fadiga
  • fraqueza

Se a deficiência se tornar grave, a pessoa pode apresentar sintomas adicionais, como:

  • dormência
  • formigamento
  • contrações musculares e cãibras
  • batimentos cardíacos irregulares
  • espasmos coronários
  • mudanças de personalidade
  • convulsões

A deficiência de magnésio no organismo pode afetar outros minerais no corpo, como cálcio e potássio. E as deficiências nesses outros minerais podem causar sintomas e complicações adicionais.

Tratamento

Um médico pode recomendar suplementos de magnésio. No entanto, qualquer pessoa que suspeite ter deficiência de nutrientes deve falar com um profissional de saúde antes de tentar tomar um suplemento por conta própria.

Incluir bananas, nozes, batatas doces, espinafre e iogurte, que estão repletos de minerais, em sua dieta também pode ajudar.

3. Deficiência de vitamina E

Em 2011, os médicos relataram em um estudo uma caso de um homem de 20 e poucos anos que tinha uma deficiência de vitamina E e desenvolveu um tremor nos membros superiores e no tronco. O homem também experimentou:

  • alterações na forma de caminhar e na postura
  • problemas nas articulações
  • problemas cognitivos

A equipe médica concluiu que o tremor resultou da deficiência de vitamina E, mas observou que esse sintoma da deficiência é muito raro.

Tratamento

O tratamento para movimentos involuntários causados ​​por uma deficiência de vitamina E é uma alta dose de suplementos orais de vitamina E.

Qualquer pessoa que suspeite ter deficiência de nutrientes deve consultar um médico, que pode recomendar a dosagem correta de suplementos.

4. Síndrome de fasciculação benigna

Pessoas com síndrome de fasciculação benigna têm espasmos musculares involuntários generalizados.

Os sintomas geralmente estão presentes há anos, e alguns médicos apenas diagnosticam a síndrome se os sintomas existirem há pelo menos 5 anos.

Os médicos não sabem o que causa a síndrome de fasciculação benigna. No entanto, um estudo de 2013 encontrou uma ligação entre essa síndrome e a diminuição da atividade neurológica nas pequenas fibras nervosas da pele e nas glândulas sudoríparas. Porém, os especialistas afirmam que para confirmar essa ligação será preciso mais pesquisas.

Tratamento

O tratamento da síndrome de fasciculação benigna é simples, pois, ela não evolui para uma doença dos neurônios motores e não requer tratamento.

No entanto, os pesquisadores controlaram com sucesso as contrações musculares com a droga gabapentina, que atua no sistema nervoso.

Além disso, alguns médicos descobriram que certos medicamentos que tratam a epilepsia, como carbamazepina e fenitoína, podem reduzir as contrações musculares.

Vale ressaltar, no entanto, que o uso dos medicamentos acima para tratar espasmos constitui um uso off label use. O “off label use” refere-se a um médico que trata uma condição de saúde com um medicamento que foi regulamentado apenas para tratar condições específicas, essa é uma prática usada nos Estados Unidos pela FDA.

5. Tremor essencial

Tremor essencial é o movimento involuntário e repetido de uma parte do corpo. Em uma pessoa com tremor essencial, os movimentos ocorrem com frequência e força consistentes.

O tremor essencial é a causa neurológica mais comum dos tremores, mas os médicos não sabem o que causa a doença.

As pessoas geralmente experimentam tremor essencial em suas mãos. Em algumas pessoas, o tremor se estende aos braços ou à cabeça e também pode afetar a voz.

Tremor essencial não altera a expectativa de vida da pessoa que possui o problema. No entanto, pode afetar a qualidade de vida de uma pessoa e causar incapacidades.

Tratamento

Algumas pessoas procuram tratamento para tremor essencial, e intervenções sendo médicas ou não médicas podem ajudar.

Em relação aos medicamentos, os médicos usaram os métodos de tentativa e erro para encontrar o medicamento e a dosagem mais adequados para cada pessoa. A tabela a seguir lista a primeira, a segunda e a terceira linhas de tratamento para o tremor essencial.

Primeira linha de tratamento Segunda linha de tratamento Terceira linha de tratamento
propranolol gabapentina nimodipino
primidona pregabalina clozapina
combinação de propranolol e primidona topiramato
clonazepam, alprazolam
atenolol, metoprolol
zonisamida

Alguns desses medicamentos não receberam a aprovação dos órgãos de regulamentação para tratar especificamente o problema do tremor essencial, ainda assim alguns médicos os prescrevem para esse fim de forma totalmente independente.

Além disso, os médicos podem recomendar técnicas de relaxamento para pessoas cujos tremores são agravados pela ansiedade. Eles também podem recomendar evitar a cafeína, pois ela pode ajudar a aumentar os tremores.

6. Hiperparatireoidismo

Existem quatro glândulas paratireoides. São pequenas, situam-se dentro do pescoço e produzem o hormônio da paratireoide, o que ajuda a aumentar os níveis de cálcio no sangue.

O termo “hiperparatireoidismo” refere-se à hiperatividade de uma ou mais glândulas paratireoides. Essa hiperatividade causa um desequilíbrio no cálcio e no potássio no organismo, o que pode levar a espasmos musculares.

Outros sintomas do hiperparatireoidismo incluem:

  • dores musculares
  • fraqueza muscular
  • dor nas articulações e nos ossos
  • problemas digestivos
  • fadiga
  • depressão
  • irritabilidade
  • problemas com memória e concentração
  • problemas renais

Tratamento

A única cura conhecida para o hiperparatireoidismo é a cirurgia para remover as glândulas paratireoides afetadas.

Certos medicamentos, como bisfosfonatos e estrogênio sintético, podem diminuir os níveis de cálcio ou hormônios da paratireoide e melhorar os sintomas relacionados aos ossos. No entanto, eles não podem curar o hiperparatireoidismo.

7. Síndrome de Tourette

A síndrome de Tourette é um distúrbio neurológico caracterizado por movimentos e vocalizações involuntários e repetitivos. Os médicos se referem a essas ocorrências como “tiques”.

Pessoas com síndrome de Tourette têm vários tiques que começam durante a infância. Os tiques de movimento ou motor são repentinos e recorrentes. Eles em geral são desencadeados por um desejo e podem afetar qualquer parte do corpo.

Para receber um diagnóstico da síndrome de Tourette, uma pessoa deve ter os seguintes sintomas:

  • tiques motores múltiplos e um ou mais tiques vocais durante a doença, embora estes possam não ocorrer juntos
  • tiques que persistem por mais de 1 ano
  • sintomas que começam antes dos 18 anos
  • sintomas não relacionados a substâncias ou a outras condições médicas

Tratamento

Os médicos geralmente não prescrevem medicamentos para tratar a síndrome de Tourette. No entanto, as crianças tendem a responder bem a intervenções comportamentais para tratamento de tiques nervosos.

Crianças com síndrome de Tourette podem ter distúrbios psiquiátricos que requerem tratamento adequado. Estes podem incluir:

  • transtorno do déficit de atenção com hiperatividade ou TDAH
  • transtorno obsessivo-compulsivo ou TOC
  • transtorno de ansiedade
  • transtorno desafiador de oposição

Com o tempo, os tiques podem desaparecer, mas os sintomas de qualquer distúrbio psiquiátrico podem persistir.

8. Doença de Parkinson

A doença de Parkinson é um distúrbio cerebral que geralmente ocorre em adultos acima de 50 anos.

Uma pessoa com Parkinson pode experimentar um tremor. Isso geralmente começa em um lado do corpo e piora com o tempo.

Alguns outros sintomas da doença de Parkinson são:

  • postura instável
  • dificuldade para caminhar
  • movimentos lentos

A doença de Parkinson causa uma perda de células em uma parte do cérebro chamada substância negra. Essa área produz dopamina, um neuroquímico que ajuda a controlar e coordenar os movimentos do corpo.

Tratamento

Os médicos tratam inicialmente a doença de Parkinson com a droga levodopa. Esta é uma versão sintética de um aminoácido que o corpo converte em dopamina.

Tomar levodopa suplementar ajuda a controlar alguns sintomas como os da deficiência da dopamina .

À medida que a doença progride, as pessoas precisam de tratamentos adicionais. Os médicos podem prescrever os seguintes medicamentos, além da levodopa:

  • Inibidores da catecol O-metiltransferase e inibidores da monoamina oxidase: ajudam a retardar o esgotamento da dopamina e aumentam a disponibilidade de levodopa.
  • Medicamentos que atuam nos receptores de acetilcolina: ajudam a reduzir as contrações musculares e a rigidez.

Um médico também pode prescrever ropinirol ou pramipexol para ativar ainda mais os receptores de dopamina no cérebro.

9. Esclerose lateral amiotrófica (ELA)

A ELA, ou doença de Lou Gehrig, é uma doença progressiva dos neurônios motores e seus sintomas pioram gradualmente com o tempo.

Nos estágios iniciais, a esclerose lateral amiotrófica pode causar espasmos musculares na mão ou no braço. Com o tempo, uma pessoa pode desenvolver fraqueza muscular, que pode se espalhar para outras partes do corpo.

Problemas de deglutição, fala e respiração podem ocorrer à medida que a doença continua progredindo.

Alguns sintomas comuns da esclerose lateral amiotrófica incluem:

  • contrações musculares
  • cãibras musculares
  • aperto e rigidez muscular
  • fraqueza muscular
  • fala nasal arrastada
  • dificuldade em mastigar ou engolir

Tratamento

Atualmente, não há cura para a esclerose lateral amiotrófica. No entanto, certos tratamentos podem ajudar a controlar os sintomas, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Até agora, em alguns países foram aprovados os seguintes medicamentos para tratar a esclerose lateral amiotrófica (ELA):

  • Riluzol: Este medicamento reduz os danos aos neurônios envolvidos no movimento, embora não possa reverter os danos.
  • Edaravona: Este medicamento retarda o declínio da doença.

Quando procurar um médico

Em pessoas jovens e saudáveis, a contração dos dedos é provavelmente um sintoma de esforço excessivo comum. Muitas vezes, isso decorre do uso excessivo de telefones celulares, computadores e videogames.

Se você é jovem o excesso de esforço muscular é um motivo bem comum de tremores nas mãos, podemos dar o seguinte exemplo, se você estiver mal preparado fisicamente e vier do supermercado ou outro lugar carregando suas sacolas pesadas, provavelmente quando chegar em casa irá largar suas sacolas, olhar para suas mãos e ver que elas estão tremendo um pouco ou tendo espasmos em alguns dedos. E isso é normal, é apenas resultado de sua falta de preparo físico.

Porém, se a contração muscular continuar, sem causa clara, consulte um médico. Ele provavelmente fará um exame para descartar a suspeita de distúrbio neurológico se for o caso.

Se o espasmo muscular piorar, descarte problemas médicos sérios, procurando o atendimento médico imediato. Isso é especialmente importante se o seu espasmo for acompanhado de outros sintomas, como:

  • fraqueza da mão ou dos dedos
  • dormência ou perda de sensibilidade nos membros
  • dor persistente
  • inchaço
  • espasmos se espalhando para seus braços

Se a contração e espasmo dos dedos afetar as atividades diárias ou a qualidade de vida, consulte um médico. Algumas causas podem ser tratadas com descanso ou suplementos vitamínicos, enquanto outras requerem intervenção médica adicional.

Resumo

Pessoas que experimentam espasmos nos dedos ou nas mãos podem se preocupar com o distúrbio neurológico. No entanto, existem muitas causas relativamente inofensivas desse problema, incluindo excesso de esforço, fadiga e consumo excessivo de cafeína ou bebida alcoólica.

Se o espasmo dos dedos resultar de uma doença neurológica, a pessoa geralmente irá sentir outros sinais e sintomas adicionais.

Mas lembre-se, em caso de dúvidas sempre consulte um médico ou um profissional de saúde, mesmo se a causa dos espasmos nos dedos parecer clara ou não. Principalmente se esses movimentos persistirem ou piorarem.

FONTE

Síndrome Benigna de Fasciculação como Manifestação de Neuropatia por Pequenas Fibras.

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