Níveis de BPA em humanos podem ser muito maiores do que se pensava anteriormente

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Depois de usar um novo método para avaliar os níveis de bisfenol A (BPA) no organismo humano, os cientistas descobriram que a exposição humana ao produto químico industrial é muito maior do que as estimativas anteriores mostraram.

Reguladores, como a Americana Food and Drug Administration (FDA), podem estar confiando em medidas que subestimam os níveis de BPA em humanos em até 44 vezes, concluiu um relatório recente, publicado na The Lancet Diabetes & Endocrinology.

O que é BPA?

O BPA ou bisfenol A como também é conhecido, é um produto químico industrial presente em muitos produtos como, recipientes de plástico para alimentos, recipientes de bebidas, resinas epóxi e também é encontrado com muita frequência em recipientes plásticos que as pessoas usam para armazenar comida em suas geladeiras. Ele é também um desregulador endócrino, o que significa que interfere no funcionamento dos hormônios no corpo.

Somente na última década os cientistas começaram a entender como o BPA e outros desreguladores endócrinos podem impactar a saúde humana.

Uma vez que entra no corpo, o BPA se decompõe rapidamente em metabólitos. E para avaliar com precisão a exposição, os cientistas devem levar em consideração os metabólitos.

Em seu estudo, os pesquisadores explicam que agências de regulação, como a americana FDA, ainda contam com técnicas analíticas que avaliam indiretamente os níveis de metabólitos do BPA.

Quando eles compararam essas técnicas com técnicas mais novas que medem diretamente os metabólitos do BPA, os resultados foram muito diferentes.

O que se resume diz a autora correspondente Patricia A. Hunt, professora da Escola de Biociências Moleculares da Universidade Estadual de Washington em Pullman, é que as conclusões das agências federais sobre como regular o BPA podem ter sido baseadas em medições muito imprecisas.

Medida indireta da exposição ao BPA

Estudos em animais mostraram que o BPA pode prejudicar o funcionamento saudável dos hormônios no corpo. Os hormônios são mensageiros químicos que orientam os processos biológicos, incluindo crescimento, puberdade e menopausa.

“A exposição ao BPA durante a gestação tem sido associada a alterações em uma ampla variedade de tecidos em desenvolvimento, com efeitos pós-natais correspondentes no crescimento, metabolismo, comportamento, fertilidade e risco de câncer”, observam os novos autores do estudo.

Os estudos nos quais a FDA se baseia têm usado principalmente uma técnica analítica indireta para medir o BPA em humanos. O método utiliza uma solução enzimática da Helix pomatia, que é um tipo de caracol comestível.

A solução da enzima do caracol converte os metabólitos do BPA na urina de volta no composto original.

Os cientistas podem usar a espectrometria de massa por cromatografia líquida para medir o BPA total, que compreende BPA livre e BPA reconstituído de seus metabólitos.

Os pesquisadores observam que “apesar de seu amplo uso”, a eficiência com a qual a solução enzimática do caracol converte o metabólito em BPA “nunca foi avaliada”.

Medição indireta e direta comparada

Hunt e seus colegas compararam o método da enzima do caracol com um método que explica os metabólitos do BPA mais diretamente, sem ter que convertê-los novamente no composto original.

Eles testaram os dois métodos primeiro na urina sintética e depois em 39 amostras de urina humana, incluindo a de 29 de mulheres grávidas.

Os resultados mostraram que a medida direta detectou níveis muito mais altos de BPA, até “44 vezes maiores que a última média geométrica para adultos nos EUA, relatada pela Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição”, observam os autores.

Além disso, eles viram que a disparidade entre os métodos diretos e indiretos aumentou com níveis mais altos de BPA.

Em outras palavras, quanto mais BPA dentro do corpo, maior a probabilidade do método indireto retornar uma leitura mais baixa.

“Para nosso conhecimento”, observam os autores, “nossos dados fornecem a primeira evidência de que o método indireto é uma ferramenta analítica falha para medir os níveis de BPA no corpo humano”.

Preocupações com outros produtos químicos

Os pesquisadores também estão preocupados com outros produtos químicos, incluindo aqueles que os fabricantes usam em vez do BPA. Os pesquisadores estão preocupados porque os reguladores também contam com métodos indiretos para avaliar a exposição humana a esses produtos químicos.

“O BPA ainda está sendo medido indiretamente pelo órgão que faz a Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição, e não é o único produto químico desregulador endócrino sendo medido dessa maneira”, diz Gerona, que também pede que outros estudiosos confirmem suas descobertas.

“Espero que este estudo chame a atenção para a metodologia usada para medir o BPA, e que outros especialistas e laboratórios analisem mais de perto e avaliem de forma independe o que está acontecendo”, ele recomenda.

Além de continuar investigando o BPA, a equipe planeja aplicar o método direto a uma variedade de produtos químicos encontrados em produtos que as pessoas usam todos os dias, como embalagens de alimentos, brinquedos, cosméticos, sabão e outros itens de cuidados pessoais. Esses produtos químicos incluem triclosan, parabenos, benzofenona e ftalatos.

Patricia A. Hunt finaliza afirmando que: “Este estudo levanta sérias preocupações sobre se fomos cuidadosos o suficiente com a segurança deste produto químico até agora”.

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