Osteoporose: suplementação com selênio pode reduzir o risco da doença?

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Um recente estudo feito na China encontrou uma associação entre a ingestão alimentar do mineral selênio e a diminuição do risco de osteoporose.

Ao longo da vida, o organismo decompõe os ossos do corpo continuamente, os reabsorve e os refaz. Quando alguém tem osteoporose, essa “reforma óssea” não acompanha a taxa de quebra óssea do individuo.Ou seja, com o tempo, os ossos se tornam mais fracos e mais propensos a fraturas. A osteoporose afeta predominantemente os idosos e estima-se que 200 milhões de pessoas no mundo tenham a doença.

A condição afeta aproximadamente 1 em cada 3 mulheres com mais de 50 anos de idade, enquanto nos homens afeta apenas 1 em cada 5.

Existem alguns fatores de risco para a osteoporose que as pessoas não conseguem evitar, que são o fato de a pessoa ser homem ou mulher e o avanço da idade. Porém, os especialistas identificaram alguns fatores de risco que podem ser modificáveis, como por exemplo, o fato de a pessoa fumar e consumir bebidas alcoólicas aumenta o risco de se ter a doença.

Os cientistas também acreditam que fatores alimentares podem desempenhar um papel importante. Até o momento, a maioria das pesquisas sobre a ligação entre a nutrição e a osteoporose se concentrou no cálcio, devido ao seu papel essencial na saúde óssea das pessoas.

Os autores do estudo mais recente, no entanto, acreditam que outros micronutrientes podem influenciar o risco de se ter ou não osteoporose. E para provar sua teoria eles decidiram se concentrar em um mineral muito conhecido, o selênio. Os cientistas publicaram os resultados do seu estudo na revista BMC Musculoskeletal Disorders.

Selênio o que é e para que serve?

O selênio é um mineral essencial para o bom funcionamento do organismo humano e para que ele se mantenha saudável. Ele serve para a produção de DNA, para auxiliar as funções da glândula tireoide e também para a proteção do corpo contra os danos causados ​​pelos radicais livres e pelas infecções.

Ele pode ser encontrado naturalmente em uma grande variedade de alimentos, dentre eles, peixe, marisco, carne vermelha, alho, fígado, grãos, ovos e frango.

Embora alguns estudos anteriores tenham analisado o impacto desse mineral na osteoporose, as evidências não foram satisfatoriamente conclusivas.

Para solucionar essa lacuna, uma nova pesquisa foi feita onde os estudiosos do assunto coletaram dados de 6.267 participantes que visitaram o Centro de Exames do Departamento de Saúde do Hospital Xiangya, da Universidade Central do Sul, na China.

Os enfermeiros registrados se envolveram com todos os participantes e coletaram informações sobre seus estilos de vida e também dados demográficos. Todos os participantes tinham mais de 40 anos e preencheram questionários detalhados sobre a sua frequência alimentar.

É importante ressaltar que os cientistas também analisaram outros parâmetros que podem influenciar a osteoporose, como consumo de bebidas alcoólicas, tabagismo, índice de massa corporal (IMC) e nível de atividade física praticada.

Selênio e osteoporose

No geral, a osteoporose esteve presente em 9,6% dos participantes, sendo 2,3% homens e 19,7% mulheres. Usando os dados do questionário, os cientistas dividiram os participantes em quatro grupos, que foram classificados dos que ingeriam mais selênio para os que ingeriam menos.

Como eles esperavam, indivíduos com os níveis mais baixos de selênio na dieta apresentaram o maior risco de desenvolver a osteoporose. Os pesquisadores observaram uma relação entre a dose que foi consumida e o efeito esperado; em outras palavras, a ingestão de selênio teve uma correlação positiva com o risco de osteoporose, quanto mais um indivíduo consumia selênio, menor era o risco dele de ele ter osteoporose.

Os autores da pesquisa afirmam que:

“Os resultados de nosso estudo podem dar uma dica da patogênese da osteoporose, e estudos futuros sobre a ingestão alimentar, incluindo a ingestão suplementar de selênio, atrelada ao risco da osteoporose são necessários”.

Em seu artigo, os autores discutiram alguns mecanismos pelos quais o selênio pode influenciar o risco de osteoporose. Eles explicam como a atividade de moléculas imunes, como citocinas, acabou incentivando a progressão da osteoporose e que o selênio pode inibir essas moléculas.

Em segundo lugar, o selênio faz parte das enzimas antioxidantes, que acabam absorvendo espécies reativas de oxigênio nas células.

As espécies reativas de oxigênio acabam ocorrendo como um subproduto do metabolismo do oxigênio e desempenham um papel muito útil no corpo humano. No entanto, quando acumuladas em excesso, elas causam estresse oxidativo , que pode danificar as células. Sendo assim, níveis mais baixos de selênio podem aumentar o estresse oxidativo.

Isso é importante porque, como os autores explicam, há algumas evidências de que o estresse oxidativo pode influenciar a progressão da osteoporose.

Limitações da pesquisa e o futuro

Os autores acreditam que o estudo deles é o primeiro a relacionar diretamente a ingestão de selênio na osteoporose. Embora eles tenham usado um tamanho de amostra relativamente grande e tenham respondido por uma ampla gama de variáveis, ainda existem limitações significativas.

Por exemplo, qualquer pesquisa que dependa da ingestão auto referida de alimentos está sujeita a erros, pois, a memória humana certamente não é infalível. Os autores também explicam que os níveis de selênio nos alimentos podem variar e que os métodos de preparação também influenciam a quantidade de selênio disponível.

No entanto, a medida que a idade média da população aumenta lentamente, a osteoporose se torna cada vez mais comum no mundo. E entender como podemos reduzir os riscos da doença é vital para que possamos chegar a respostas cada vez mais assertivas.

FONTE

Associação entre ingestão alimentar de selênio e a prevalência de osteoporose: um estudo transversal.

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