A pimenta pode melhorar a expectativa de vida das pessoas?

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De acordo com um estudo recente, as pessoas que consomem regularmente pimenta têm um menor risco de morte em comparação com aquelas que nunca comem pimenta.

A pimenta se tornou um fenômeno global, a comida picante é onipresente no mundo todo.
Ao longo da história, as culturas associaram vários benefícios à saúde com a ingestão de pimenta.

No entanto, como explica um dos autores do recente estudo, a Professora Licia Iacoviello, muitas dessas propriedades benéficas foram baseadas “principalmente tendo como base a história e as tradições”.

Recentemente, os cientistas se concentraram na capsaicina, o composto que dá a pimenta o seu sabor inconfundível. Segundo os autores do estudo, observou-se que a capsaicina “melhora favoravelmente a função cardiovascular e a regulação metabólica em estudos experimentais e populacionais”.

Outros pesquisadores concluíram que a capsaicina pode ser muito útil no combate à dor neuropática, artrite, distúrbios gastrointestinais e até câncer.

Pimenta em nível populacional

Embora o interesse esteja aumentando, apenas alguns estudos investigaram o impacto que comer pimenta regularmente traria a saúde e o quanto melhoraria a longevidade.

Os autores, do Instituto Neurológico do Mediterrâneo, na Itália, mencionam dois estudos populacionais projetados para responder a essa pergunta. Um ocorreu na China e o outro nos Estados Unidos. Ambos relataram menor risco de mortalidade nos indivíduos que consumiram mais pimenta.

Neste estudo recente, os autores decidiram se aprofundar mais nas descobertas anteriores em uma população europeia. Além disso, também foram usados biomarcadores de doenças cardiovasculares, para analisar níveis de lipídios no sangue, eles esperavam identificar como a pimenta poderia reduzir o risco de mortalidade.

Para essa investigação, eles coletaram dados do estudo Molisani; esse conjunto de dados inclui 24.325 homens e mulheres que vivem em Molise, Itália. Após a exclusão de indivíduos com dados ausentes, 22.811 pessoas participaram do estudo.

Eles publicaram suas descobertas no Journal of American College of Cardiology. Todos os participantes tinham mais de 35 anos de idade e os pesquisadores os acompanharam por cerca de 8 anos e 2 meses. Durante esse período, os pesquisadores capturaram informações sobre os 1.236 participantes que morreram durante o estudo.

Os cientistas também tiveram acesso a informações sobre outros fatores que poderiam influenciar os resultados, incluindo histórico médico, atividade física, lazer, tabagismo, ingestão de álcool e dados socioeconômicos.

Cada participante preencheu um questionário sobre seus hábitos alimentares durante o ano anterior ao estudo, incluindo várias perguntas sobre pimenta.

No total, 24,3% dos participantes consumiram pimenta quatro ou mais vezes por semana e 33,7% consumiram pimenta, raramente ou nunca. Os autores resumiram suas descobertas afirmando que:

“Em um modelo de amostra ajustado apenas por idade, sexo e consumo de energia, o consumo regular de pimenta (4 ou mais vezes por semana) foi associado a um risco 23% menor de mortalidade por todas as causas, em oposição à ingestão de pouca ou nenhuma pimenta, os resultados permaneceram substancialmente inalterados”.

Saúde cardiovascular

Ao considerar doenças cardíacas, os autores descobriram que os consumidores regulares de pimenta tiveram um risco 34% menor de morrer por problemas cardiovasculares do que aqueles que raramente consumiam pimenta.

O efeito benéfico foi mais identificado em mortes relacionadas a fatores cerebrovasculares e cardiopatia isquêmica.

Quando eles investigaram a mortalidade por câncer, descobriram que, embora as pimentas estivessem associadas a uma queda no risco, ela não alcançou significância estatística.

Os autores analisaram as mortes causadas por doenças além do câncer e cardiovasculares. Nesses outros casos, as pimentas pareceram também fornecer algum benefício. Os autores relataram que “a ingestão regular de pimenta foi associada a um risco menor de outras causas de morte”.

Curiosamente, quando os cientistas controlaram a qualidade da dieta, isso não influenciou as descobertas.

O risco de mortalidade era independente do tipo de dieta que as pessoas seguiam. Em outras palavras, alguém pode seguir a dieta mediterrânea saudável e outro pode se alimentar de forma mais desregrada, e mesmo assim, em ambos a pimenta poderia trazer benefícios”.
Primeira autora da pesquisa Dr. Maria Laura Bonaccio.

Mais surpresas

Comparados com aqueles que comeram menos pimenta, aqueles que comeram mais tiveram maior probabilidade de serem do sexo masculino, com maior escolaridade e mais velhos.

Surpreendentemente, dadas as conclusões do estudo, aqueles que comeram pimenta também tiveram maior probabilidade de ter diabetes e hipertensão, níveis mais altos de lipídios no sangue e um IMC mais alto, em comparação com aqueles que raramente comiam pimenta.

Por serem fatores de risco para doenças cardiovasculares, os autores acreditam que isso sugere que o mecanismo pelo qual as crianças reduzam o risco de mortalidade seja independente dos fatores de risco cardiovasculares clássicos.

Porém, como as pimentas podem beneficiar a saúde ainda é um mistério. Alguns cientistas teorizaram que, como a capsaicina pode ajudar na perda de peso, isso pode explicar os benefícios. No entanto, nesta população estudada, o grupo que consumiu mais pimenta apresentou IMC médio mais alto.

Limitações e o futuro

Embora o estudo ecoe nos resultados de dois extensos estudos realizados nos EUA e na China e envolva um grande número de participantes, os autores reconhecem algumas limitações. E também se for considerado que este foi um estudo observacional, significa que é difícil separar causa e efeito. Nesses estudos, é sempre possível que outros fatores que os pesquisadores não mediram tenham influenciado nos resultados.

Eles também observam que, embora o número geral de participantes tenha sido alto, o número de mortes em cada categoria foi relativamente baixo. Como exemplo, houve apenas 173 mortes relacionadas ao câncer no grupo das pessoas que raramente comiam pimenta.

Além disso, as informações alimentares foram coletadas apenas uma vez no início da pesquisa. E como as dietas das pessoas mudam com o tempo; e esta é uma questão que afeta a pesquisa pelo aspecto da saúde e da nutrição.

Neste estudo, a categoria principal de consumo de pimenta incluía aquelas pessoas que comiam pimenta quente quatro ou mais vezes por semana. No trabalho de acompanhamento, seria interessante ver se o efeito seria diferente em indivíduos que comiam pimenta uma ou duas vezes por dia.

No geral, os autores concluem que “o consumo regular de pimenta está associado ao menor risco de mortalidade total e doenças cardiovasculares”. As evidências de que as crianças podem beneficiar a sua saúde através do consumo de pimenta também estão aumentando e o próximo passo será entender como.

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