Suplemento ômega 3 melhora a atenção em jovens com TDAH

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De acordo com um novo estudo os ácidos graxos ômega 3 podem melhorar a atenção em alguns jovens com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade é uma condição na qual uma pessoa apresenta um padrão muito forte de desatenção ou hiperatividade e impulsividade, ou todos os sintomas juntos, a um nível que acaba interferindo no desenvolvimento e na vida do individuo como um todo.

De acordo com pesquisas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças nos EUA, aproximadamente 5% das crianças do mundo sofrem de TDAH.

Em um novo estudo, cientistas do King’s College London, no Reino Unido, e da China Medical University, em Taiwan, investigaram o efeito dos suplementos de óleo de peixe ômega 3 na função cognitiva de jovens com TDAH.

Um artigo recente sobre psiquiatria translacional descreve as novas descobertas.

A investigação se transformou em um estudo controlado randomizado e envolveu 92 jovens com idades entre 6 e 18 anos, que possuíam o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.

Por 12 semanas, os jovens receberam altas doses de Eicosapentaenoico (EPA) ou um placebo.

Os resultados mostraram que dos participantes que receberam o suplemento, aqueles que tinham os níveis mais baixos de Eicosapentaenoico no sangue apresentaram melhora na qualidade e quantidade de atenção e foco.

No entanto, essas melhorias não ocorreram nos participantes cujos níveis sanguíneos de EPA estavam normais ou altos.

A pesquisa também acabou identificando algumas consequências adversas ao administrar suplementos de ômega 3. Os indivíduos com altos níveis sanguíneos de Eicosapentaenoico que tomaram o suplemento mostraram um aumento nos níveis de impulsividade.

Os pesquisadores sugerem que esses resultados apontam para a necessidade dos psiquiatras adotarem uma abordagem personalizada ao tratar jovens com TDAH.

“Os suplementos de ácidos graxos ômega 3 funcionaram apenas em crianças com níveis mais baixos de EPA no sangue, como se a intervenção estivesse repondo a falta desse nutriente importante”, diz o autor sênior do estudo Carmine M. Pariante, professor do Departamento de Medicina Psicológica do King’s College em Londres.

Ele e seus colegas alertam que as descobertas não devem ser um motivo para pais e responsáveis ​​começarem a dar suplementos de ácidos graxos ômega 3 aos jovens sem antes consultar um médico.

Eicosapentaenoico (EPA) e outros ácidos graxos ômega 3

O ômega 3 é um grupo de ácidos graxos poliinsaturados (PUFAs) que desempenham vários papéis vitais no corpo.

Esses ácidos ajudam a formar membranas celulares, produzem moléculas de sinalização chamadas eicosanóides e também produzem energia.

Nessa pesquisa, os cientistas se concentraram no EPA e em dois outros tipos de ômega 3: o ácido alfa-linolênico (ALA) e o ácido docosahexaenóico (DHA).

O corpo não pode fabricar o ácido alfa-linolênico (ALA), por isso deve obtê-lo de alimentos, como óleo de canola, sementes de chia, linhaça, soja, nozes e outros.Embora o corpo possa converter o ácido alfa-linolênico (ALA) em DHA e Eicosapentaenoico (EPA) no fígado, ele é incapaz de produzir a quantidade que o organismo humano necessita. E como resultado, o corpo também deve obter esses ácidos graxos de fontes alimentares.

Peixe e óleos de peixe são ricos em DHA e EPA. Os peixes acumulam esses dois ômega 3 em seus tecidos porque comem fitoplâncton, que ingeriu microalgas que produzem docosahexaenóico (DHA) e Eicosapentaenoico (EPA).

Os suplementos alimentares podem conter ALA, DHA, EPA e outros ácidos graxos ômega 3. Porém, o óleo de peixe não é a única fonte de DHA e EPA em suplementos, também existem suplementos de ômega 3 que não são feitos a partir do peixe. São os suplementos feitos a partir da extração do óleo de algas, é um óleo derivado das microalgas.

As formulações de ômega 3 podem variar amplamente entre os suplementos alimentares, por isso é importante sempre verificar os rótulos dos produtos para ver quais são os tipos de ômega 3 que eles contêm e em quais quantidades.

Necessidade de psiquiatria personalizada nos casos de TDAH

Os resultados desse estudo recente se somam aos de pesquisas anteriores da mesma equipe que descobriu que o transtorno de deficit de atenção e hiperatividade era mais comum em jovens com deficiência de ácidos graxos ômega 3.

O tratamento padrão para jovens com TDAH inclui a ingestão de estimulantes. Um desses estimulantes, o metilfenidato, normalmente resulta em melhorias, os cientistas descrevem essas melhorias em termos de tamanho de efeito, entre 0,22 a 0,42 para atenção concentrada.

Já os resultados do estudo mostraram que os jovens com baixo EPA que receberam suplemento de ácidos graxos ômega 3 apresentaram melhorias com um tamanho de efeito de 0,83 para vigilância e 0,89 para atenção concentrada.

Kuan-Pin Su, PhD e pesquisador co-líder da China Medical University, acrescenta que: “Níveis elevados de EPA no sangue sem o uso de suplementos podem ser alcançados através de uma boa dieta com bastante peixe, o que é comum em alguns países asiáticos como Taiwan e Japão.

Também é possível que a deficiência de EPA seja mais comum entre crianças com TDAH em países com menor consumo de peixe, como na América do Norte e em muitos países da Europa, e que a suplementação de óleo de peixe possa, portanto, ter benefícios mais amplos no tratamento da doença do que em nosso atual estudo”.

Dr. Carmine Pariante sugere que “para as crianças com deficiência de ômega 3, os suplementos de óleo de peixe podem ser uma opção alternativa aos tratamentos com estimulantes padrão”.

No entanto, a equipe também destaca que os suplementos podem ter consequências adversas para os jovens que não têm deficiência de ômega 3.

Dr. Carmine M. Pariante finaliza afirmando que:

” Nosso estudo estabelece um precedente importante para outras descobertas, e podemos assim começar a trazer luz aos benefícios da ‘psiquiatria personalizada’ para crianças com TDAH”.

Os cientistas alertam que os pais não devem dar aos filhos suplementos de ômega 3 por conta própria sem antes consultar um médico e enfatizam que os níveis de ômega 3 podem ser facilmente verificados com um exame de sangue.

2 FONTES

Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.
Ácido eicosapentaenóico em altas doses (EPA) melhora a atenção e a vigilância em crianças e adolescentes com transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e baixos níveis endógenos de EPA.

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