Carne processada com nitritos e o câncer, entenda essa relação

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No ano de 2015, a Organização Mundial de Saúde (OMS) inseriu as carnes processadas no Grupo 1 de  alimentos cancerígenos, também foram apresentadas provas suficientes que ligam essas substâncias ao câncer nos seres humanos. Mas agora, uma nova revisão dessa pesquisa aponta que essa ligação entre carne processada e câncer depende também de outro fator, que seria se a carne contém ou não nitritos.

Mas o que é nitrito?

Os Nitritos são composições químicas liberadas por alguns tipos de bactérias, sal e outros. Eles são utilizados para conservar a carne, mantendo a cor e inibindo o crescimento de microrganismos. A Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC), que faz parte da OMS, definiu como carne processada, alimentos que foram submetidos a salga, defumação, fermentação, ou algum outro método para preservar e ou melhorar o seu sabor.

Alguns exemplos desses alimentos são salsicha, bacon, presunto, mortadela, carne enlatada, carne temperada, charque, toucinho, salame, linguiças e vários outros.

Alguns produtores usam o nitrito para a cura de carnes, afim de melhorar a cor da carne, ou como conservante para aumentar a vida do produto na prateleira.

No entanto, nem todas as carnes processadas contêm nitritos. Os Britânicos e Irlandeses, por exemplo, já estão produzindo salsichas que são livres de nitritos.

Pesquisas Recentes

Investigadores do Instituto de Segurança Alimentar Mundial juntamente com a Queen’s University de Belfast do Reino Unido, analisaram estudos recentes sobre as relações entre consumo de carne processada e os cânceres do cólon e reto.

Eles descobriram que apenas cerca de metade dos estudos concluiu que não havia evidências de uma ligação entre nitritos e o câncer colorretal.

Eles relataram seus métodos e os resultados das análises em um recente estudo intitulado O nutriente. A equipa sugere que suas descobertas podem explicar o conflito nos meios de comunicação sobre carnes processadas e o risco de câncer.

“Quando olhamos para carnes processadas que contêm nitrito, os resultados foram de grande ajuda para a análise”, diz o primeiro autor do estudo, William Crowe, PhD da Escola de Ciências Biológicas da Queen’s University, “Quase dois terços dos estudos encontraram uma ligação com o câncer”.

Falta de classificação correta nos produtos

A Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer ressalta a falta de classificações adequadas na hora de diferenciar entre carnes processadas que contêm nitritos e as que não possuem.

O Co-autor do estudo Christopher T. Elliott, professor na Escola de Ciências Biológicas da Queen’s University, diz que a resolução desse problema é muito importante já que traria mais clareza ao consumidor e seria de grande ajuda para futuras pesquisas.

Entretanto, a pesquisa sugere que pessoas podem conseguir manter uma dieta saudável e equilibrada, se seguirem as orientações de quantidade de consumo de carne recomendadas pela OMS.

No Reino Unido, por exemplo, o governo recomenda que as pessoas limitem o seu consumo de carne processada a 70 gramas por dia, o que já é mais ou menos a média de consumo diário por pessoa no país. No entanto, no brasil a quantidade consumida por dia é bem maior.

Um relatório feito a partir da World Cancer Research Fund e o Instituto Americano para Pesquisa do Câncer recomenda que as pessoas que comem carne vermelha limitem o seu consumo entre 350 a 500g por semana de acordo com cada indivíduo e que comam “pouca ou nenhuma carne processada”.

Avaliação de cada tipo de carne processada

Um dos autores do estudo, Brian D. Green, diz que a equipe espera que os futuros estudos sobre a ligação entre as carnes processadas e o câncer colorretal, consigam tratar de cada tipo de carne separada e não como um grupo.

Ele também aponta a necessidade de mais pesquisas para investigar a ligação entre o câncer e a carne processada.

“Há tantas variáveis quando se trata das dietas das pessoas, mas, com base em nosso estudo, acreditamos ter a mais completa revisão das evidências que ligam os nitritos ao câncer até agora. Sendo assim, podemos dizer que há uma forte ligação existente entre o nitrito contido em carnes processadas, como salsichas e outros e o câncer colorretal”.

Entretanto, nunca é demais deixar o consumidor alerta e observar que a carne processada está no Grupo 1 da lista de carcinogênicos da OMS (Organização Mundial da Saúde), que é o mesmo grupo, do tabaco e do amianto.

Para colocar isso em contexto, as pesquisas apontam que cerca de 34.000 pessoas morrem de câncer colorretal em todo o mundo anualmente e provavelmente, devido ao alto consumo de carne processada, em comparação com 1 milhão de mortes por câncer em decorrência do tabagismo.

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