Dieta sustentável: tudo o que você precisa saber

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Uma dieta sustentável é geralmente saudável para o corpo e com baixo impacto no meio ambiente.

A adesão a esse tipo de dieta pode ajudar a manter a saúde de uma pessoa, além de garantir que o planeta tenha recursos suficientes para alimentar as próximas gerações.

Essa é uma ideia complexa, mas nos termos mais simples, uma dieta sustentável pode ter um impacto positivo no indivíduo e no meio ambiente, agora e no futuro.

Não há regras definidas sobre o que torna uma dieta sustentável. No entanto, algumas dietas e itens alimentares podem ser mais sustentáveis do ​​que outros, e a sua escolha pode ajudar a reduzir o impacto ambiental que o planeta terra vem sofrendo.

Neste artigo, você vai saber mais sobre alimentos e sustentabilidade, bem como os efeitos que a dieta sustentável exerce sobre a saúde.

Qual é a dieta mais sustentável?

A Comissão do EAT Lancet, juntou um grupo de cientistas de 16 países diferentes, e abordou as evidências existentes em torno das demandas alimentares, resíduos e dieta geral do planeta.

Segundo a Comissão, a produção de alimentos é a maior causa mundial de mudanças ambientais. Eles observaram que as dietas veganas e vegetarianas têm a maior redução no uso da terra e das emissões de gases de efeito estufa e usam menos água.

A pesquisa observa que uma dieta de referência universalmente saudável inclui o aumento do consumo de:

  • legumes
  • frutas
  • grãos integrais
  • nozes
  • legumes

Também pode-se ressaltar que uma pessoa que come de forma mais sustentável acaba ingerindo quantidades mais baixas de:

  • grãos refinados
  • açúcares
  • carne vermelha
  • alimentos processados

Além de mudar o meio ambiente com o desmatamento e outras práticas agrícolas, a produção de alimentos tem um grande impacto nos gases de efeito estufa.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a produção de alimentos representa 20 a 30% da emissão global de gases de efeito estufa e até 66% do uso de água.

Embora uma dieta variada seja crucial para a saúde humana, uma dieta verdadeiramente sustentável também se concentrará na saúde do meio ambiente.

Uma dieta sustentável leva em consideração o impacto que terá sobre o meio ambiente, o indivíduo e a cadeia alimentar como um todo. Os fatores que determinam o quão sustentável é uma determinada dieta incluem:

  • disponibilidade nutricional
  • custo relativo
  • biodiversidade
  • proteção do ecossistema
  • saúde geral

A consideração de todos esses fatores deve ajudar a garantir que o planeta possa continuar a fornecer alimentos e recursos suficientes para uma população em crescimento e as próximas gerações.

Alguns planos alimentares já aderem a essas diretrizes mais do que outros, portanto, segui-los pode ser uma forma simples de tornar a sua dieta mais sustentável.

Dietas que são mais sustentáveis ​​que a dieta ocidental padrão incluem:

Dietas veganas e vegetarianas

A Comissão do EAT Lancet observa que dietas veganas e vegetarianas, são mais sustentáveis ​​do que aquelas que contêm carne e outros produtos de origem animal. A Comissão observa que a troca de produtos de origem animal por produtos de origem vegetal traz benefícios ambientais e para a saúde.

Eles afirmam que:

“No geral, os estudos concordam que os alimentos à base de plantas causam menos efeitos ambientais adversos por unidade de peso, por porção, por unidade de energia ou por proteína do que os alimentos de origem animal em vários indicadores ambientais”.

Como observa um estudo da revista Global Environmental Politics, produtos de origem animal, como carne, laticínios e ovos, são temas quase obrigatórios quando se considera dietas sustentáveis.

Isso ocorre porque esses produtos de origem animal têm alguns impactos significativos a serem considerados, incluindo:

  • uso da terra
  • uso da água
  • emissão de gases de efeito estufa

Em 2014, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação observou que o gado em geral representa 14,5% de todas as emissões de gases de efeito estufa induzidas pelo homem. Reduzir o impacto do gado, reduzindo a necessidade dele e melhorando as práticas agrícolas, pode ajudar a diminuir esse impacto.

Agora, algumas fazendas estão trabalhando na compostagem de resíduos animais para uso de fertilizantes e na captura de gás metano para suprir as necessidades de energia da operação agrícola.

Os alimentos de origem animal ainda podem ter um lugar em uma dieta sustentável, embora não haja acordo sobre quanto alimento animal uma pessoa pode comer e ainda ser sustentável.

Em geral, uma dieta mais rica em alimentos vegetais é mais sustentável do que uma dieta mais rica em produtos de origem animal.

A questão é complexa, com muitos fatores a se considerar, incluindo:

  • uso da terra
  • pesca predatória
  • produção de metano a partir de animais de criação
  • uso da água para plantar e alimentar o gado

Como exemplo, podemos fazer a seguinte afirmação. Cultivar um hectare de milho para consumo humano significa que todo esse alimento pode ir diretamente para alimentar uma crescente população humana.

Para as pessoas que comem produtos de origem animal, o mesmo hectare de milho seria destinado à alimentação de animais. No entanto, os próprios animais também ocupam terras e recursos adicionais. Portanto, cultivar alimentos para animais requer muito mais terra.

Dietas alimentares locais

As dietas alimentares locais concentram-se em comer alimentos da área em que uma pessoa vive.

Dependendo de onde uma pessoa mora, no entanto, essas dietas podem exigir um planejamento significativo para serem implementadas. As pessoas nas regiões do norte, onde crescem menos frutas e vegetais, podem precisar tomar medidas extras para garantir que obtenham nutrientes suficientes.

A ideia por trás das dietas alimentares locais é que elas reduzam as “distâncias alimentares” necessárias para que os produtos e outros alimentos cheguem aos supermercados e ao consumidor final.

Esse tipo de dieta enfatiza a alimentação sazonal e muitas pessoas também podem optar por comprar de produtores locais orgânicos.

Dito isto, até agora existem poucos estudos sobre o impacto da dieta local no meio ambiente, e algumas pesquisas sugerem que a alimentação local não tem benefícios ambientais ou de saúde em comparação com a ingestão de alimentos não locais.

No entanto, alguns benefícios possíveis para o meio ambiente podem ser destacados:

  • redução da necessidade de transportar alimentos por longas distâncias
  • redução de embalagens e resíduos de alimentos, pois os produtos não precisam durar tanto
  • redução dos recursos necessários para cultivar alimentos fora de época

Dieta flex

A dieta flex ou flexitariana como também é conhecida enfatiza os alimentos vegetais, mas também é “flexível”, o que significa que as pessoas podem incluir produtos de origem animal com moderação.

O objetivo desta dieta é reduzir o impacto ambiental que um indivíduo tem, reduzindo o consumo de:

  • carne vermelha
  • peixe
  • laticínios
  • alimentos embalados

Uma dieta flex sustentável ainda pode incluir esses produtos, em quantidades menores, mantendo o foco em alimentos vegetais integrais.

No entanto, não há consenso sobre quantos produtos de origem animal uma pessoa pode comer em um determinado período para que isso possa ser considerado sustentável.

Uma dieta flexitariana também é provavelmente uma boa escolha para a saúde em geral de uma pessoa. Pesquisas sobre dietas sustentáveis ​​descobriram que pessoas que seguem dietas vegetarianas, veganas, pescatarianas (dietas que incluem peixe, mas não outra carne) e dietas semi-vegetarianas têm um risco de mortalidade geral 12% menor do que as pessoas que as dietas de pessoas que comem carne.

Dieta sustentável como começar

Como na maioria das mudanças de uma dieta para outra, muitas pessoas acham a mudança mais fácil se tudo for feito em um processo passo a passo.

Fazer uma grande mudança de uma só vez pode ser difícil e pode levar a pessoa a voltar à seus antigos hábitos se não conseguir acompanhar as mudanças.

Para as pessoas que procuram reduzir a ingestão de produtos de origem animal, uma maneira simples é reservar um dia da semana para comer apenas produtos vegetais, como a popular iniciativa “segunda sem carne”.

Como alternativa, as pessoas podem tentar eliminar lentamente os alimentos, começando pelo menos sustentável. Um Grupo de Trabalho Ambiental classificou as fontes de proteína que mais contribuem para os gases de efeito estufa em um relatório sobre produtos de origem animal e sustentabilidade.

Em ordem das opções menos sustentáveis, as cinco principais foram:

  • Cordeiro
  • carne
  • queijo
  • carne de porco
  • salmão de criadouro

Em seu relatório, o Grupo de Trabalho Ambiental incluiu emissões de processos de pós-produção, como transporte.

As pessoas preocupadas com a sustentabilidade podem querer cortar primeiro os produtos mais insustentáveis ​​em sua dieta, o que também é uma opção válida.

Nutrição

Geralmente, mudar para uma dieta sustentável tem pouco ou nenhum risco. Se uma pessoa tomar algumas medidas conscientes para garantir que atenda a todas as suas necessidades nutricionais, reduzir a ingestão de produtos de origem animal e aumentar a ingestão de alimentos vegetais ainda poderá cobrir todos os seus requisitos nutricionais.

Os tópicos abaixo informam os elementos nutricionais específicos da mudança para uma dieta mais sustentável.

Frutas e vegetais

Frutas e vegetais têm um impacto ambiental muito baixo, embora haja algumas exceções.

De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, apenas 1 em cada 10 pessoas comem bastante frutas e vegetais. E aumentar a ingestão de frutas e vegetais integrais é uma escolha saudável para a maioria das pessoas.

Carne

A carne normalmente tem um alto impacto ambiental. Embora seja rica em calorias, proteínas, gorduras e micronutrientes, o consumo excessivo de carne vermelha pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de sérios problemas de saúde, como doenças cardíacas.

Comer menos carne como parte de uma dieta sustentável também está alinhado com a ideia de melhorar a saúde de modo geral.

Laticínios

O leite e outros produtos lácteos também têm um alto impacto ambiental. No entanto, são uma fonte importante e acessível de nutrientes essenciais, como cálcio e vitamina D, para muitas pessoas.

Dito isto, é possível reduzir a ingestão de laticínios e ainda manter uma boa saúde. As pessoas podem conversar com um médico ou nutricionista sobre a ingestão de nutrientes suficientes ou podem ler sobre fontes de cálcio não saudáveis.

Peixe

O peixe geralmente também tem um alto impacto ambiental, já que muitos estoques estão esgotados devido à sobrepesca e outras práticas insustentáveis.

No entanto, o peixe também é uma boa fonte de nutrientes essenciais e gorduras saudáveis. Reduzir o consumo de peixe ou comer de fontes sustentáveis ​​pode ajudar a reduzir o impacto ambiental.

Alimentos prontos

Os alimentos prontos ou congelados contribuem para o desperdício e o uso de plástico. Muitos alimentos prontos ou pré prontos também são processados, como lanches açucarados, pizzas e lasanhas, além de terem uma quantidade muito pequena de nutrientes.

Reduzir ou eliminar refeições prontas e congeladas pode ajudar uma pessoa a reduzir o desperdício e contribuir para sua saúde geral.

Considerações

A dieta sustentável é flexível e de fácil adaptação, as diretrizes gerais incluem a redução do consumo de carne, laticínios, peixes e alimentos prontos.

Uma dieta sustentável se concentra na maior ingestão de alimentos vegetais integrais. As pessoas ainda podem optar por comer produtos de origem animal, mas em quantidades menores.

Qualquer pessoa que esteja pensando em mudar para uma dieta mais sustentável deve considerar em qual dieta provavelmente seguirá e tentar dar primeiros passos de forma gradativa a fim de, facilitar a própria adaptação.

FONTE

Dieta saudável e sustentável: uma revisão narrativa dos desafios e perspectivas.

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