Pesquisas apontam que dieta à base de plantas pode prevenir o declínio cognitivo na velhice

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Recentes pesquisas constataram que seguir uma dieta rica em alimentos à base de plantas e pobre em produtos de origem animal durante a meia-idade está associada a um risco significativamente menor de comprometimento cognitivo na velhice.

Segundo as últimas estimativas das Nações Unidas, atualmente existem 137 milhões de pessoas com mais de 80 anos em todo o mundo. Os especialistas esperam que esse número triplique até 2050, podendo chegar a 425 milhões de idosos no mundo todo.

O número de pessoas com a doença de Alzheimer e outras formas de demência também está aumentando. De acordo com informações fornecidas em um relatório de 2015 pela Associação Internacional de Alzheimer estima-se haver cerca de 46,8 milhões de pessoas com demência no mundo.

À medida que a população envelhece, está se tornando cada vez mais importante ser capaz de identificar fatores de risco modificáveis ​​para condições como a doença de Alzheimer, bem como quaisquer mudanças no estilo de vida que possam impedir que condições neurodegenerativas como essa se desenvolvam em primeiro lugar.

O que é o declínio cognitivo?

O declínio cognitivo é uma resposta ao envelhecimento dos neurônios e à velocidade reduzida na qual o cérebro funciona. O declínio cognitivo está entre os processos normais do envelhecimento. Isso acontece em momentos diferentes e é notado que afeta diferentes elementos da vida das pessoas, mas sempre tem o mesmo efeito geral no corpo humano.

Cabe lembrar que comprometimento cognitivo e declínio cognitivo são coisas diferentes, pois, o comprometimento cognitivo pode ser resultado de algum dano causado por doença ou aumento do declínio cognitivo derivado de outra fonte.

A diferença entre os dois é que todas as pessoas podem enfrentar o declínio cognitivo quando envelhecerem.

Quais são os tipos de distúrbios cognitivos?

Alguns tipos de distúrbios cognitivos comuns incluem:

  • Demência
  • Doença de Alzheimer
  • Distúrbios das habilidades motoras
  • Amnésia
  • Comprometimento cognitivo induzido por substâncias entre outros

A doença de Alzheimer, por sua vez, é um dos distúrbios cognitivos mais comuns, pois afeta milhões de pessoas em todo o mundo.

Os distúrbios cognitivos podem ser de vários tipos e como mencionamos anteriormente, eles podem ser definidos como qualquer distúrbio que prejudique significativamente a função cognitiva de uma pessoa a ponto de impossibilitar o seu comportamento normal na sua vida como um todo.

Causas do declínio cognitivo

Embora seja relacionada à idade para a maioria das pessoas, a causa exata do declínio cognitivo não é conhecida. O declínio cognitivo pode ser causado por elementos do ambiente de uma pessoa que não conduzem à saúde normal do cérebro.

Principalmente, quando o corpo não recebe nutrição adequada, ele pode não funcionar como deveria. Muitos estudos determinaram que, com uma dieta alimentar inadequada, o cérebro se torna incapaz de processar pensamentos com a mesma eficácia. E esse declínio pode se tornar permanente se a nutrição correta não for atendida.

Novas pesquisas apontam e reafirmam que a nutrição é um fator muito importante quando se trata de declínio cognitivo. As novas pesquisas mostram que a ingestão de uma dieta rica em frutas, legumes e grãos integrais e pobre em produtos de origem animal, como carne e laticínios, reduz o risco de declínio cognitivo na velhice.

A Dr. Koh Woon Puay, professora da Escola de Saúde Pública Saw Swee Hock da Universidade Nacional de Cingapura (NUS) e da Faculdade de Medicina Duke-NUS, é a principal investigadora desse estudo. Os resultados da equipe aparecem no American Journal of Clinical Nutrition.

Estudo das dietas e saúde cognitiva

A Dr. Puay e colegas examinaram os dados disponíveis no Singapore Chinese Health Study, de um estudo de coorte populacional de 63.257 chineses residentes em Cingapura.

Como parte desse estudo inicial, adultos de 45 a 74 anos forneceram informações durante entrevistas pessoais sobre “dieta habitual, tabagismo, consumo de álcool, atividade física, tempo de sono, altura, peso e histórico médico”.

Isso ocorreu entre abril de 1993 e dezembro de 1998. Os pesquisadores entrevistaram os participantes novamente durante três visitas de acompanhamento, até o ano de 2016.

Para o novo estudo, a professora Puay e seus colegas usaram esses dados para selecionar informações sobre 16.948 pessoas, com idade média de 53 anos na linha de base. Esses participantes apenas concluíram as avaliações da função cognitiva durante a terceira visita de acompanhamento, que aconteceu entre 2014 e 2016.

Para avaliar os hábitos alimentares dos participantes, os pesquisadores usaram cinco padrões alimentares:

  • a dieta alternativa do mediterrâneo, que é uma versão aprimorada da dieta típica do mediterrâneo
  • a dieta DASH
  • o índice alternativo de alimentação saudável
  • o índice de dieta à base de plantas
  • o índice saudável de dieta à base de plantas

Todas essas dietas são semelhantes pois, têm ênfase em alimentos à base de plantas. Os dois últimos índices atribuem pontuações positivas à ingestão de alimentos à base de plantas e pontuações reversas ao ingerir alimentos vegetais ou alimentos menos saudáveis.

Risco 33% menor de declínio cognitivo

De 2014 a 2016, 2.443 dos participantes (14,4%) apresentaram comprometimento cognitivo.

Os pesquisadores descobriram que as pessoas que aderiram fortemente aos cinco padrões alimentares descritos acima durante a meia-idade tinham menos probabilidade de desenvolver comprometimento cognitivo no futuro.

Especificamente, aqueles cujas dietas os pesquisadores consideraram mais semelhantes àqueles cinco padrões alimentares tiveram 18 a 33% menos chances de desenvolver comprometimento cognitivo do que aqueles que tinham as dietas diferentes.

A professora Puay comenta a importância das descobertas da pesquisa existente. Ela afirma que: “Estudos anteriores mostraram resultados variados quando se trata de dieta e risco de comprometimento cognitivo, com poucos estudos realizados em populações asiáticas”.

” Nosso estudo sugere que a manutenção de um padrão alimentar saudável é importante para a prevenção do aparecimento e atraso do declínio cognitivo”.

Koh Woon Puay

Ela acrescenta que “esse padrão não é sobre a restrição de um único item alimentar, mas sobre a composição de um padrão geral que recomenda reduzir as carnes vermelhas, especialmente se forem processadas, e incluir muitos alimentos à base de plantas como, legumes, frutas, oleaginosas, feijões, grãos integrais e peixe”.

Cabe lembrar que, se você ou um ente querido tiver suspeitas de problemas cognitivos devido ao envelhecimento ou por abuso de substâncias, é de suma importância procurar ajuda médica, visto que, hoje há várias opções de tratamento disponíveis. E nunca é tarde para procurar ajuda quando se trata do seu bem estar físico e mental.

2 FONTES
Estatísticas de demência.
Padrão alimentar na meia-idade e comprometimento cognitivo no final da vida.

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