“Transtorno alimentar restritivo evitativo” tudo que você precisa saber

0
901

Não é incomum que as crianças tenham um paladar difícil, e muitas crescem com esse comportamento. No entanto, algumas crianças demonstram hábitos alimentares mais severos, como limitar sua dieta a apenas certas texturas ou mostrar profunda preocupação pelos possíveis efeitos nocivos da comida.

Os médicos agora classificam esse problema como, transtorno de ingestão alimentar evitativa/restritiva. Embora esse distúrbio compartilhe algumas semelhanças com anorexia e bulimia, as crianças que vivem com o transtorno alimentar restritivo evitativo, não têm uma imagem corporal ruim e nem desejam perder peso.

Neste texto, descrevemos esse transtorno alimentar e explicamos as opções de tratamento. Também abordamos o que pais e responsáveis ​​podem fazer para ajudar.

O que é transtorno alimentar restritivo evitativo?

O transtorno alimentar restritivo evitativo, também conhecido abreviadamente como ARFID é um distúrbio recentemente descoberto que consta no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, Quinta Edição (DSM-5). O DSM-5 define transtornos mentais para ajudar médicos e psiquiatras a melhorar diagnósticos e tratamentos.

Muitos pais e cuidadores apenas dizem que seus filhos não gostam de comer nada, mas às vezes os comportamentos alimentares podem ser anormais.

Quando o comportamento alimentar de uma criança progride para uma falta geral de interesse em comer e começa a afetar seu crescimento e desenvolvimento, os médicos diagnosticam um distúrbio alimentar, que pode ser transtorno alimentar restritivo evitativo.

A diferença perceptível no corpo entre a criança que é apenas exigente na alimentação e aquela que possui o transtorno alimentar restritivo evitativo é:

  • não come calorias suficientes
  • para de ganhar peso
  • para de crescer

Alguns adultos também podem ter o transtorno, o que pode causar perda de peso e afetar as funções corporais normais.

No DSM-5, o transtorno alimentar restritivo evitativo substitui um distúrbio alimentar chamado transtorno alimentar da primeira infância, que os médicos diagnosticam apenas em crianças de até 6 anos de idade. Por outro lado, o transtorno restritivo evitativo não tem limite de idade.

A principal diferença entre o transtorno alimentar restritivo evitativo e a anorexia ou bulimia é que uma criança com o transtorno não tem problemas com a sua imagem corporal e a com bulimia tem.

Estudos demonstraram que, em comparação com pessoas com anorexia, as pessoas com transtorno restritivo evitativo têm maiores probabilidades de serem internadas em hospitais, por estarem com um peso corporal menor em relação ao peso corporal saudável estimado.

Os pesquisadores também sugerem que as pessoas com o transtorno alimentar restritivo evitativo são mais propensas do que pessoas com outros transtornos alimentares a:

  • terem internações mais longas
  • confiarem mais na alimentação por sonda para nutrição
  • lutar mais com o ganho de peso durante a hospitalização

As pessoas com o transtorno alimentar restritivo evitativo geralmente recebem um diagnóstico em idade mais jovem do que as pessoas com anorexia e bulimia, e a porcentagem maior de pessoas afetadas é do sexo masculino. O o transtorno alimentar restritivo evitativo também pode persistir por mais tempo do que outros distúrbios alimentares.

Diagnóstico

Os médicos usam os critérios no DSM-5 para diagnosticar o transtorno. Pessoas que o possuem normalmente apresentam distúrbios alimentares, como:

  • falta de interesse em comer ou na comida
  • evitam alimentos com base na textura
  • expressam preocupações com as conseqüências desagradáveis ​​da comida

No ARFID, o distúrbio alimentar causa falta de nutrição adequada, levando a pessoa a não atender às suas necessidades nutricionais energéticas. Que como resultado, pode apresentar:

  • perda de peso significativa
  • deficiências nutricionais
  • dependência de tubos ou suplementos de alimentação
  • efeitos negativos no funcionamento psicossocial

Sintomas de transtorno alimentar restritivo evitativo

O ARFID possui vários sinais de alerta associados que os pais e responsáveis ​​podem identificar. Eles incluem:

  • perda de peso considerável
  • vestir muitas roupas para se aquecer ou esconder a perda de peso
  • ter problemas digestivos, como constipação
  • restringir tipos ou quantidades de alimentos
  • apenas comer alimentos com certas texturas
  • sentir-se doente ou cheio na hora das refeições
  • sentir mais frio
  • fraqueza ou energia excessiva
  • medo de engasgar ou vomitar
  • uma gama restrita de alimentos preferidos que se torna mais limitada ao longo do tempo

Outros sintomas mais severos de ARFID incluem:

  • dor abdominal
  • recorrente medo de vomitar ou engasgar
  • doença do refluxo gastroesofágico

Fatores de risco para o desenvolvimento de ARFID

Em comparação com outros distúrbios alimentares, os médicos não sabem muito sobre o transtorno alimentar evitativo restritivo porque é um distúrbio recém-definido. Ainda assim, os médicos observaram alguns fatores de risco em potencial para o ARFID, que incluem fatores temperamentais, ambientais, genéticos e fisiológicos.

Mais pesquisas são necessárias nessa área, mas parece que crianças autistas, crianças com transtorno do déficit de atenção, hiperatividade e deficiências intelectuais têm maior probabilidade de desenvolver o transtorno alimentar restritivo evitativo.

Algumas crianças com hábitos alimentares graves e difíceis de superar também podem desenvolver ARFID.

As crianças que vivem com o transtorno alimentar restritivo evitativo também podem sofrer com ansiedade e ter maior risco de ter outros distúrbios psiquiátricos.

Os distúrbios alimentares são doenças psicológicas que causam sintomas físicos, que podem resultar em doenças graves e morte.

Pessoas com o transtorno alimentar restritivo evitativo, assim como as que vivem com anorexia ou bulimia, não atendem às suas necessidades nutricionais diárias. Alguns dos sinais e sintomas desses distúrbios alimentares são semelhantes, incluindo:

  • cãibras no estômago, constipação, azia
  • desequilíbrio hormonal
  • dificuldade de concentração
  • níveis de ferro baixo no organismo
  • baixos níveis de hormônio tireoidiano
  • baixos níveis potássio
  • baixa contagem de células sanguíneas
  • ritmo cardíaco lento
  • tontura
  • desmaio
  • frio constante
  • problemas com o sono
  • pele e unhas secas
  • unhas quebradiças
  • pelos finos no corpo, chamados lanugo
  • queda de cabelo
  • cabelos secos e quebradiços
  • fraqueza muscular
  • má cicatrização de feridas
  • função imune diminuída

Como o corpo precisa de nutrientes essenciais para manter os órgãos funcionando corretamente, em pessoas com ARFID, os processos corporais diminuem a velocidade para economizar a energia corporal.

O corpo pode se adaptar bem ao estresse resultante de distúrbios alimentares; portanto, os exames de sangue às vezes podem parecer normais, mesmo quando alguém está em perigo.

Distúrbios nos eletrólitos, como potássio, podem causar morte inesperada e pessoas com deficiências nutricionais graves podem morrer de ataque cardíaco.

Transtorno alimentar restritivo evitativo como tratar?

O ARFID recebeu apenas uma definição clínica no DSM-5; portanto, os médicos ainda não criaram diretrizes para o tratamentos do distúrbio.

No entanto, eles reconhecem que as pessoas que vivem com distúrbios alimentares, como o transtorno alimentar restritivo evitativo, precisam do cuidado e da experiência de um nutricionista registrado.

Outros profissionais de saúde que podem desempenhar um papel importante no cuidado de pessoas com ARFID são:

  • terapeuta ocupacional
  • pediatra
  • gastroenterologista
  • psicólogo
  • psiquiatra

O envolvimento de profissionais tão diversos e a falta de diretrizes clínicas a seguir sobre o problema, pode significar que os planos de tratamento se tornem pouco claros. Alguns médicos com experiência no tratamento de crianças com ARFID sugerem que o foco do tratamento dependerá de quais fatores estão causando o distúrbio alimentar.

Por exemplo, uma pessoa com ARFID que tem medo de engasgar e vomitar pode se beneficiar de estratégias comportamentais para ajudar a lidar com esses medos.

Crianças com transtorno alimentar restritivo evitativo precisam de planos de tratamento especializados e individualizados. Mais estudos são necessários para explorar a gestão e o tratamento desse transtorno.

Como ajudar alguém com transtorno alimentar restritivo evitativo

Uma criança que é um pouco exigente com as refeições não necessariamente precisa de ajuda médica. No entanto, se essa exigência começar a afetar o crescimento e o desenvolvimento da criança, os pais ou responsáveis ​​devem levá-la a um médico. Ele poderá ajudar a família a encontrar uma solução, explorando a causa raiz do problema.

Com os devidos cuidados, uma criança com ARFID pode aprender a aceitar diferentes alimentos sem medo e começar a ganhar peso e crescer novamente.

O gerenciamento do transtorno ARFID (transtorno alimentar restritivo evitativo), requer paciência, pois pode ser um desafio para o médico descobrir a causa. Como os médicos ainda não têm diretrizes clínicas a seguir, esse processo pode levar tempo para que seja estabelecido um plano de tratamento eficaz.

Considerações

O ARFID (transtorno alimentar restritivo evitativo), é um distúrbio alimentar que ocorre em crianças. É diferente de anorexia e bulimia, porque as pessoas com ARFID não têm uma imagem corporal ruim e não estão tentando perder peso.

O transtorno alimentar restritivo evitativo pode afetar o crescimento e o desenvolvimento de uma criança, por isso é importante procurar ajuda médica. Atualmente, os profissionais de saúde não possuem diretrizes a seguir para o tratamento e gerenciamento desse transtorno. No entanto, sabe-se que a condição também pode afetar adultos.

Juntamente com outros profissionais de saúde, como nutricionista e psiquiatra, os médicos podem ajudar uma criança com transtorno alimentar restritivo evitativo a aprender a comer para apoiar seu crescimento e desenvolvimento.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here